sexta-feira, 7 de março de 2014

PLENITUDE Canção na Plenitude Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou. Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins. (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.) O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos. A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada. Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força — que vem do aprendizado. Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias. Lya Luft O texto acima foi extraído do livro “Secreta Mirada”, Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.A CARTILHA DO IDOSO 1 Sumári
O QUE É O ABANDONO NA CONCEPÇÃO DO IDOSO. A PERCEPÇÃO DOS IDOSOS O entendimento de abandono na velhice, sob o olhar dos idosos entrevistados, relaciona-se à idéia de sozinho: ser sozinho, estar sozinho, ficar sozinho, sentir-se sozinho e de não ter. Ser sozinho, como algo constitutivo, intrínseco, permanente do ser humano; estar sozinho, como algo que pode ser transitório, passageiro; ficar sozinho, como uma circunstância de perda, como deixar de ter o que já teve; sentir-se sozinho, como experiência emocional de sentir, de ter um sentimento; não ter, como ausência ou privação de alguém ou alguma coisa. Com esses significados, abandono é ser sozinho no mundo, estar só, sem ninguém para partilhar a vida, para auxiliar durante a velhice. É ficar só pela perda de companheiro, filhos, familiares ou amigos. É sentir-se sozinho, ainda que rodeado de seres humanos, pela falta de um bem-querer espontâneo e sincero, de carinho, de amor dos filhos, do aconchego da família, da intimidade com o outro. É não ter ninguém por si. É não ter a presença dos familiares, de amigos, de companhia, de visitas. É não ter filhos, não ter nada. Sozinho, com qualquer de seus significados, pode conduzir à solidão, e esta ao abandono. A solidão e o abandono constituem pesados fardos para os idosos, pois as famílias tendem, não raro, a excluir aqueles tidos como incômodos demais. Também há pessoas que, por suas vivências e experiências, possuem o sentimento de abandono ao longo da vida, não somente na velhice. A família é o meio natural de inserção do ser humano. Quando há ausência ou rompimento dessa inserção, o idoso vive uma situação de não-pertencimento, sente-se ignorado, desvalorizado, excluído. A família é a esperança do idoso como forma de manutenção das relações familiares e das possibilidades de evitar o isolamento. Como a família é o grupo através do qual o ser humano é gradativamente inserido no mundo, ela representa o vínculo do indivíduo com a sociedade. Dessa maneira, carrega valores que sustentam essa relação de estar com, de estar junto. Além dos valores humanos que o grupo tem a responsabilidade de reproduzir, ele se constitui ainda no espaço de ligação entre os seus membros. A família pode ser uma solução para evitar o sentimento de abandono, mas não garante necessariamente que esse sentimento não exista. Pelo contrário, depende dos vínculos estabelecidos ao longo da vida e da força dessas relações. A família é o primeiro referencial de socialização e de estabelecimento de vínculos, sendo responsável pelo equilíbrio físico, psíquico e afetivo. Segundo o IBGE, a família é vista como um conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, dependência doméstica, normas de convivência, que residem na mesma unidade domiciliar. O idoso espera da família que ela o mantenha e cumpra com o papel estabelecido pela sociedade, mesmo que conheça sua família e saiba de seus limites. Crê que esse grupo social seja o seu mantenedor final e que possa lhe dar a atenção necessária para enfrentar as agruras que a vida impõe. Essa crença é fortificada pela intensidade das relações pessoais estabelecidas com o grupo familiar. Enquanto há saúde, maior a probabilidade da manutenção da independência e da autonomia, que proporcionam à pessoa mais facilidade e disposição para preencher seu tempo, manter relações sociais, realizar atividades pessoais. O fantasma do abandono fica mais distante. A doença, além de trazer sofrimento, provoca o estado de dependência e de inutilidade, a necessidade de cuidados e pode aproximar a possibilidade do abandono. Se a família não estiver fortalecida pela convivência e por laços afetivos, a presença da doença e das dificuldades dela advindas pode provocar tristeza, amargura, angústia, desânimo, melancolia e a constatação de que o abandono é algo cruel, injusto, ruim. Maltratar o idoso, deixá-lo sem apoio, passando por necessidades e sem alguém que cuide dele, é abandoná-lo. Enquanto há saúde, maior a probabilidade da manutenção da independência e da autonomia, que proporcionam à pessoa mais facilidade e disposição para preencher seu tempo, manter relações sociais, realizar atividades pessoais. O fantasma do abandono fica mais distante. A doença, além de trazer sofrimento, provoca o estado de dependência e de inutilidade, a necessidade de cuidados e pode aproximar a possibilidade do abandono. Se a família não estiver fortalecida pela convivência e por laços afetivos, a presença da doença e das dificuldades dela advindas pode provocar tristeza, amargura, angústia, desânimo, melancolia e a constatação de que o abandono é algo cruel, injusto, ruim. Maltratar o idoso, deixá-lo sem apoio, passando por necessidades e sem alguém que cuide dele, é abandoná-lo. Enquanto há saúde, maior a probabilidade da manutenção da independência e da autonomia, que proporcionam à pessoa mais facilidade e disposição para preencher seu tempo, manter relações sociais, realizar atividades pessoais. O fantasma do abandono fica mais distante. A doença, além de trazer sofrimento, provoca o estado de dependência e de inutilidade, a necessidade de cuidados e pode aproximar a possibilidade do abandono. Se a família não estiver fortalecida pela convivência e por laços afetivos, a presença da doença e das dificuldades dela advindas pode provocar tristeza, amargura, angústia, desânimo, melancolia e a constatação de que o abandono é algo cruel, injusto, ruim. Maltratar o idoso, deixá-lo sem apoio, passando por necessidades e sem alguém que cuide dele, é abandoná-lo.